Vigor Claro 30 de agosto de 2026

Disfunção erétil: causas, sintomas e quando procurar médico

Há disfunção erétil quando a incapacidade de obter e manter uma ereção suficiente para uma atividade sexual satisfatória é persistente — esta é a definição das Guidelines Europeias de Urologia de 2025. A palavra persistente faz toda a diferença: episódios isolados, ligados a cansaço, álcool ou stress, não são disfunção erétil. Em Portugal, o maior estudo feito no país encontrou disfunção erétil em 48,1% dos homens dos 40 aos 69 anos. E há um facto que quase nenhum site de suplementos refere: a disfunção erétil surge, em média, 3 a 5 anos antes de um evento cardiovascular.

Atualizado 30 de agosto de 2026 1 fontes

Este site reúne o que dizem as guidelines europeias, os estudos portugueses e os ensaios clínicos publicados sobre cada tratamento e cada suplemento. Cada número tem a fonte ao lado, e o que não tem prova está identificado como tal.

48,1%
dos homens portugueses dos 40 aos 69 anos (Teles, JSM 2008)
29 / 50 / 74%
prevalência aos 40-49, 50-59 e 60-69 anos
3 a 5 anos
antecedência média face a um evento cardiovascular

O que é disfunção erétil?

Disfunção erétil é a incapacidade persistente de obter e manter uma ereção suficiente para permitir uma atividade sexual satisfatória. A definição é da EAU Guidelines on Sexual and Reproductive Health 2025, o documento de referência da urologia europeia, e inclui explicitamente a persistência: um episódio ocasional isolado não constitui disfunção erétil clínica.

Isto importa porque a autoavaliação apressada é o erro mais comum de quem chega a este tema. Uma noite falhada depois de uma semana má não é um diagnóstico.

O que exige atenção é o padrão que se repete e que dura.

«Impotência» e «disfunção erétil» são a mesma coisa?

São o mesmo problema com dois nomes de épocas diferentes. Impotência é o termo mais antigo e mais coloquial; disfunção erétil é o termo clínico usado hoje pelas guidelines e pelos médicos. Não há nenhuma diferença de gravidade entre os dois — apenas de registo. Este site usa disfunção erétil por ser o termo clínico, mas a página impotência masculina explica em detalhe a diferença de vocabulário e porque a palavra antiga ainda pesa tanto.

É normal na minha idade? A prevalência em Portugal, década a década

A disfunção erétil aumenta acentuadamente com a idade, mas não é uma consequência automática de envelhecer. O estudo de referência português — Teles et al., The Journal of Sexual Medicine, 2008, com 3.548 homens inquiridos em 50 centros de cuidados de saúde primários, usando a escala validada IIEF — mediu isto com precisão.

Idade Alguma disfunção erétil Disfunção erétil completa (grave)
40-49 anos 29% 1%
50-59 anos 50% 2%
60-69 anos 74% 10%
Total (ajustado por idade) 48,1%

Fonte: Teles AG et al., J Sex Med, 2008;5(6):1317-1324, DOI 10.1111/j.1743-6109.2007.00745.x. Taxa de resposta de 81,3%.

Duas leituras deste quadro. A primeira: aos 60-69 anos, três em cada quatro homens têm algum grau de disfunção erétil — se é o seu caso, está no grupo maioritário, não na exceção. A segunda, mais importante: a forma grave é rara até aos 60 anos (1% a 2%). A maior parte dos casos nas décadas dos 40 e dos 50 é ligeira ou moderada, e é precisamente essa a fase em que a causa ainda é frequentemente reversível.

Como é que Portugal se compara com outros países

Uma revisão portuguesa publicada na Acta Urológica Portuguesa reuniu os grandes estudos internacionais de prevalência. Os números não são diretamente comparáveis entre si — cada estudo usou uma faixa etária e um instrumento diferentes —, mas dão a escala do problema.

Estudo País Amostra e idades Resultado
Massachusetts Male Aging Study EUA 1.290 homens, 40-70 anos 9,6% completa; 35% moderada/completa
Cologne Survey Alemanha 4.489 homens, 30-80 anos 19,2% completa
EDEM (Martín-Morales) Espanha 2.500 homens, 25-70 anos 0,6% completa; 19% moderada/completa
Thai EDSG Tailândia 1.250 homens, 40-70 anos 18,4% moderada/completa

Fonte: Morales J. & Rolo F., Acta Urológica Portuguesa, 2001 (revisão da literatura, Serviço de Urologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra).

Quais são as causas da disfunção erétil?

As guidelines europeias classificam a disfunção erétil pela causa predominante, e essa classificação determina o tratamento.

  • Vasculogénica. A mais comum em homens mais velhos, ligada a doença cardiovascular e diabetes. O sangue não chega, ou não fica.
  • Psicogénica. Ansiedade de desempenho, depressão, conflito na relação. Mais frequente em homens jovens.
  • Neurogénica. Lesão medular, esclerose múltipla, neuropatia diabética.
  • Hormonal. Sobretudo hipogonadismo, ou seja, testosterona baixa.
  • Iatrogénica. Induzida por fármacos ou por cirurgia pélvica. É uma das causas potencialmente reversíveis que a avaliação inicial procura identificar antes de se tratar o sintoma.

Na prática, muitos casos são mistos: uma componente vascular inicial que gera ansiedade de desempenho, que por sua vez agrava o quadro. A separação em causas serve para orientar os exames, não para arrumar cada homem numa gaveta.

O detalhe de cada causa, com números, está em causas da disfunção erétil; a parte hormonal, em testosterona baixa. Se o problema for sobretudo falta de desejo e não de ereção, o tema é outro — veja libido baixa.

Disfunção erétil aos 20, 30 e 40 anos: é diferente?

Sim, é diferente em dois aspetos: a causa provável e o significado clínico. Num homem jovem sem fatores de risco evidentes, a componente psicogénica é tipicamente mais relevante do que a vascular — mas isso não autoriza a saltar a avaliação médica, porque o inverso também acontece e tem consequências.

O dado que sustenta este aviso é da revisão sistemática de Raheem et al. (2017), que cita o estudo de Inman et al., Mayo Clinic Proceedings, 2009: em homens na casa dos 40 anos, a disfunção erétil associou-se a um risco de doença arterial coronária quase 50 vezes superior ao de homens sem disfunção erétil.

Ou seja: quanto mais jovem é o homem, mais informativo é o sintoma.

A disfunção erétil pode ser o primeiro sinal de doença cardiovascular

Sim, e não é uma teoria de blog de saúde. É o que dizem, com estas palavras, as guidelines europeias de 2025: «há evidência crescente de que a disfunção erétil pode ser também uma manifestação precoce de doença arterial coronária e doença vascular periférica; portanto, a disfunção erétil não deve ser encarada apenas como uma questão de qualidade de vida, mas também como um potencial sinal de aviso de doença cardiovascular».

A revisão sistemática de Raheem OA, Su JJ, Wilson JR e Hsieh TC (American Journal of Men's Health, 2017;11(3):552-563, DOI 10.1177/1557988316630305) quantifica a janela: a disfunção erétil ocorre, em média, 3 a 5 anos antes do evento cardiovascular.

A explicação mais aceite tem nome: hipótese do calibre das artérias, proposta por Montorsi e colegas em 2005 e discutida na revisão de 2017. Se a aterosclerose progride a um ritmo semelhante em todos os territórios vasculares, os sintomas aparecem primeiro nos ramos arteriais mais estreitos — como a artéria peniana — e só depois nos vasos maiores do coração, que toleram melhor o mesmo grau de obstrução. É uma hipótese, não um facto demonstrado: um dos estudos citados a seu favor mediu a artéria pudenda interna apenas ligeiramente mais estreita do que a coronária, com graus de estenose semelhantes nas duas.

Em 2025 isto já é protocolo formal. A EAU inclui um algoritmo de avaliação de risco cardiovascular para todo o doente com disfunção erétil sem doença cardiovascular conhecida, baseado no IV Consenso de Princeton: calcula-se o risco ASCVD a 10 anos e estratifica-se em baixo (menos de 5%), intermédio (5-20%) e alto (mais de 20%), com condutas diferentes em cada nível — no risco alto, estatina de alta intensidade, alvo de LDL abaixo de 70 mg/dL e referenciação a cardiologia preventiva.

Uma ressalva honesta. A mesma revisão de 2017 nota que a disfunção erétil não melhora significativamente a previsão de risco para além dos fatores tradicionais do Framingham Risk Score. Não substitui o rastreio cardiovascular habitual: é um sinal adicional que obriga a fazê-lo, não um exame por si.

Este é o tema que este site trata com mais detalhe do que qualquer outro, na página disfunção erétil e risco cardiovascular.

O que uma consulta de urologia investiga

A avaliação mínima da EAU 2025 é mais curta do que a maioria das pessoas receia. São quatro perguntas, por esta ordem. O problema é mesmo de ereção, ou é outra queixa sexual confundida com ela? Há por trás alguma causa comum e reversível? Que fatores de risco é que este homem ainda consegue mudar? E como estão a cabeça e a relação?

O exame físico procura sinais de doença prostática, deformidades penianas, sinais de hipogonadismo e o estado cardiovascular e neurológico. As análises de base são um perfil de glicose e lípidos e a testosterona total, em amostra colhida de manhã.

Nada disto é invasivo, e é a diferença entre tratar a causa e mascarar o sintoma. A lista completa está em exames para disfunção erétil.

O erro de diagnóstico é mais comum do que se pensa

Um estudo português em cuidados primários (Morgado A et al., Sexual Medicine, 2019;7(2):177-183) avaliou 200 doentes referenciados por disfunção erétil. Apenas 115 tinham de facto disfunção erétil confirmada após avaliação: em 22,3% o diagnóstico principal era outro, sendo a ejaculação precoce o erro mais frequente (10,6% do total).

Entre os doentes com disfunção erétil confirmada, só 33,9% tinham sido tratados antes; desses, apenas 45,2% tinham recebido a dose máxima do inibidor da PDE5; e nenhum tinha recebido tratamento intracavernoso com alprostadil, apesar de haver indicação.

A conclusão prática é desconfortável mas útil: uma parte importante dos homens que «já tentaram tudo» nunca chegou a tentar o tratamento correto na dose correta.

Quando é que é urgente ir ao médico

Duas destas situações são urgência hospitalar. As outras não são urgência, mas também não são para adiar mais um mês.

🔴 Urgência, no próprio dia:

  • ereção que passa das 4 horas — chama-se priapismo; a EAU dá força forte à recomendação de tratar cedo o priapismo isquémico, que são mais de 95% dos casos;
  • dor no peito, com ou sem esforço.

🔴 Consulta que não se adia:

  • enfarte recente, ou doença cardíaca grave na história;
  • perda súbita de visão ou audição — descrita, raramente, com os inibidores da PDE5;
  • dificuldade de ereção de início súbito num homem jovem sem fatores de risco à vista: investiga-se, não se suplementa;
  • a mesma dificuldade acompanhada de fadiga marcada, perda de massa muscular ou alterações do humor, que aponta para causa hormonal tratável.

Falta uma linha, e não é um sintoma: é uma combinação. Nitratos para a angina e inibidores da PDE5 não se juntam — a tensão pode cair a pique, com risco de morte. Daí que a checklist de dispensa do sildenafil em farmácia comece precisamente por essa pergunta.

O que os guidelines recomendam, por ordem de força

Esta é a tabela que organiza o resto do site. As forças de recomendação são as da EAU 2025 — «forte» e «fraca» são termos técnicos do documento, não apreciações nossas.

Abordagem Força da recomendação Nota da EAU 2025
Mudança de estilo de vida e correção de fatores de risco Forte A iniciar antes ou ao mesmo tempo que qualquer tratamento
Inibidores da PDE5 (sildenafil, tadalafil) Forte Primeira linha de tratamento
Terapia cognitivo-comportamental, com a parceira ou parceiro Forte Combinada com o tratamento médico
Dispositivo de vácuo Fraca Para quem quer gestão não invasiva e sem fármacos
Suplementos (L-arginina, ginseng) Fraca Reservado a disfunção erétil ligeira em quem recusa tratamento farmacológico

Repare na ordem. O que está no topo da lista não se compra: mudar o peso, o tabaco, o álcool e a atividade física tem a mesma força de recomendação que começar o medicamento. E os suplementos aparecem em último, com recomendação fraca e uma condição explícita.

A EAU acrescenta ainda um ponto que quase ninguém refere: «o uso incorreto e a informação inadequada são a principal causa de falta de resposta aos inibidores da PDE5». Muita gente conclui que «não funciona» depois de o ter tomado de forma errada.

Exercícios do pavimento pélvico: o que mostra a evidência

O treino dos músculos do pavimento pélvico tem ensaios a seu favor, é gratuito e não tem ninguém a vendê-lo — razão pela qual raramente aparece nas páginas que vendem cápsulas.

A revisão sistemática de Gbiri CAO e Akumabor JC (International Journal of Sexual Health, 2023;35(1):52-66) rastreou 239 estudos e incluiu 13. Nos ensaios sobre disfunção erétil:

  • Dorey et al. (2004): 40% dos participantes recuperaram função erétil normal;
  • Prota et al. (2012): 47,1% do grupo tratado ficou potente, contra 12,5% no grupo de controlo, em contexto pós-prostatectomia;
  • Lin et al. (2012): melhoria significativa aos 6 e aos 12 meses pós-operatórios.

As intervenções duraram 6 a 12 semanas, com 9 a 20 sessões. Os autores concluem que a fisioterapia é uma abordagem não farmacológica eficaz, podendo ser proposta como opção de primeira linha.

O como fazer, passo a passo, está em como melhorar a ereção.

Onde ficam os suplementos nesta hierarquia

Ficam no fim, com recomendação fraca, e apenas para disfunção erétil ligeira em homens que recusam tratamento farmacológico. É esta a posição da EAU 2025, e é a partir dela que analisamos cada ingrediente separadamente — não porque tenhamos algo contra suplementos, mas porque a alternativa é fingir que a hierarquia da evidência não existe.

Cada substância tem a sua página, com os ensaios, as doses estudadas e as interações:

A comparação lado a lado, por ordem de prova, está em suplementos para a disfunção erétil.

Porque é que tantos homens tratam disto sozinhos, na internet

Porque durante anos o primeiro passo obrigou a uma conversa difícil e a uma receita. Em maio de 2025 isso deixou de ser verdade. O sildenafil de 50 mg passou à categoria de medicamento não sujeito a receita médica de dispensa exclusiva em farmácia — entra-se e sai-se com a caixa, sem consulta prévia. Com condições: a conversa é em gabinete, o farmacêutico verifica contraindicações, leva-se no máximo uma embalagem de 8 unidades de cada vez e fica a indicação de ver um médico nos 6 meses seguintes. Para o tadalafil nada mudou.

Isto retira o principal argumento a favor de comprar «alternativas» de origem duvidosa online. O que a página comprimidos de farmácia detalha é exatamente isso: o que se compra legalmente em Portugal, em que condições, e o que a farmacêutica é obrigada a perguntar antes de dispensar.

O âmbito deste guia — e onde ele para

Este guia junta cinco coisas: a definição das guidelines europeias, a prevalência medida em Portugal década a década, a classificação das causas, os sinais de alarme e a ordem de força das abordagens de tratamento. Cada afirmação tem a fonte ao lado.

Onde ele para: diagnóstico, dose, produto. Nada disso se decide sem conhecer o seu perfil de risco cardiovascular, a medicação que já toma e o resultado de análises. Essa parte pertence à consulta, e não há site que a substitua.

Porque não publicamos «o melhor tratamento para a disfunção erétil»

Porque a resposta honesta depende da causa, e a causa não se determina a ler uma página. Um homem de 45 anos com disfunção erétil de início recente e tensão alta tem um problema diferente do de um homem de 68 anos com diabetes de longa data, e diferente do de um homem de 28 anos com ansiedade de desempenho. Um ranking único serviria para vender, não para ajudar.

Também não indicamos doses de suplementos. Sem avaliação, indicar dose é irresponsável — e é precisamente assim que os vendedores captam quem está envergonhado e com pressa.

Fontes utilizadas

Perguntas frequentes

A disfunção erétil tem cura?

Depende da causa. As guidelines europeias recomendam que a avaliação inicial procure especificamente causas «curáveis» — hormonais, farmacológicas, psicogénicas — antes de avançar para tratamento sintomático. Quando a causa é vascular e já instalada, o objetivo passa a ser tratar eficazmente o sintoma e travar a doença de base, que é cardiovascular.

Um episódio isolado já é disfunção erétil?

Não. A definição da EAU 2025 exige que a incapacidade de obter e manter a ereção seja persistente. Episódios ocasionais isolados não constituem disfunção erétil clínica.

Qual é a idade em que isto se torna comum?

Em Portugal, a prevalência passa de 29% na década dos 40 para 50% na dos 50 e 74% na dos 60 (Teles, 2008). A forma grave, porém, mantém-se em 1% a 2% até aos 60 anos, subindo a 10% dos 60 aos 69.

Disfunção erétil em jovens é sempre psicológica?

Não. A componente psicogénica é mais frequente em homens jovens, mas a disfunção erétil em homens na casa dos 40 associou-se a um risco de doença coronária quase 50 vezes superior (Inman et al., 2009, citado por Raheem 2017). Início súbito num homem jovem é motivo de investigação médica, não de automedicação.

Preciso de receita para comprar Viagra em Portugal?

Desde maio de 2025 não, para o sildenafil de 50 mg: é dispensado em farmácia sem receita, com avaliação prévia do farmacêutico e limite de uma embalagem de 8 unidades. O tadalafil continua sujeito a receita médica.

Os suplementos para a ereção funcionam?

As guidelines europeias atribuem-lhes recomendação fraca e reservam-nos a disfunção erétil ligeira em homens que recusam tratamento farmacológico. Cada ingrediente tem evidência diferente, e alguns não têm nenhuma — a análise substância a substância está na comparação ingrediente a ingrediente.

A minha parceira pode ajudar de alguma forma?

A EAU 2025 recomenda, com força forte, dirigir o doente para terapia cognitivo-comportamental incluindo a parceira ou o parceiro quando indicado, combinada com o tratamento médico, para maximizar os resultados.

E os géis? Funcionam melhor do que os comprimidos?

Existe um tópico com ensaios clínicos publicados e comparação direta com tadalafil, e existem muitos géis vendidos online sem qualquer ensaio. A diferença entre os dois casos está explicada em gel para disfunção erétil.

Vigor Claro reúne o que está publicado por entidades clínicas e reguladoras. Não avalia o seu caso nem substitui uma consulta.