Vigor Claro 30 de agosto de 2026

Suplementos para a ereção: o que vale e o que não vale

Dos seis ingredientes que enchem as embalagens de «suplemento para a ereção» vendidas em Portugal, só um tem um ensaio clínico feito especificamente em homens com disfunção erétil — a L-citrulina, num estudo de 24 homens publicado na revista Urology em 2011. O ginseng tem uma revisão Cochrane de 2021 que fala em efeito «trivial». A maca foi estudada sobretudo no desejo sexual, que é outro problema. O tribulus, o mais procurado de todos, tem duas revisões publicadas em 2025 que não dizem o mesmo: uma conclui «nível baixo de evidência», a outra soma os ensaios e encontra vantagem sobre o placebo. O zinco é o único com uma alegação de saúde aprovada pela EFSA — mas essa alegação é sobre manter a testosterona normal, não sobre tratar a ereção. O cordyceps não tem um único ensaio em humanos com disfunção erétil.

Atualizado 30 de agosto de 2026

Nenhum destes ingredientes é primeira linha de tratamento. As diretrizes europeias de urologia colocam os inibidores da PDE5 (sildenafil, tadalafil) como recomendação forte, e os suplementos como recomendação fraca reservada a quem tem disfunção erétil ligeira e recusa o medicamento.

Esta página compara os seis pela prova que existe, mostra os preços praticados em Portugal com a data da consulta e explica o risco menos falado do sector: cápsulas vendidas como naturais que afinal contêm fármaco não declarado. Se ainda está a tentar perceber o problema em si, comece pelo guia da disfunção erétil.

Que suplementos para a ereção têm ensaios clínicos e quais não têm?

A tabela abaixo põe lado a lado a melhor prova disponível para cada ingrediente, aquilo que foi realmente medido nos estudos e a conclusão escrita pelos próprios autores. A ordem é por solidez da prova, não por popularidade — e as duas ordens são quase inversas uma da outra.

Ingrediente Melhor prova disponível O que foi medido Dose nos estudos Conclusão dos autores
L-citrulina 1 ensaio dedicado, 24 homens (Urology, 2011) dureza da ereção (escala EHS) 1,5 g/dia durante 1 mês melhoria em 50% dos homens contra 8,3% na fase de placebo, em amostra pequena e sem dupla ocultação
L-arginina meta-análise de 4 ensaios, 373 doentes (Andrologia, 2021) função sexual e testosterona total doses variáveis entre ensaios melhora face ao início, mas o medicamento isolado supera o suplemento isolado
Ginseng revisão Cochrane de 9 estudos, 587 homens (2021) domínio de função erétil do IIEF-15 maioria dos estudos ≤ 3000 mg/dia efeito «trivial» face ao placebo, com certeza GRADE maioritariamente baixa
Maca peruana revisão sistemática de 4 ensaios (BMC, 2010) sobretudo desejo sexual; ereção só num ensaio 1500 a 3500 mg/dia, 2 a 12 semanas evidência limitada, com número e qualidade de ensaios insuficientes para conclusões firmes
Tribulus terrestris duas revisões de 2025: 10 estudos, 483 homens (Nutrients) e meta-análise de 8 ensaios (Int J Impot Res) função erétil e perfil androgénico 400 a 750 mg/dia, 4 semanas a 3 meses divergem na ereção — «nível baixo de evidência» numa, vantagem sobre o placebo no IIEF na outra; nenhuma encontra aumento robusto da testosterona
Zinco alegação de saúde aprovada pela EFSA (2009) manutenção de níveis normais de testosterona e fertilidade normal dose diária de referência do nutriente é uma alegação de manutenção da normalidade, não de tratamento da disfunção erétil
Cordyceps nenhum ensaio clínico em humanos com disfunção erétil esteroidogénese em células e fluxo sanguíneo em coelhos não há dose estudada em humanos com disfunção erétil mecanismo plausível, eficácia não demonstrada em pessoas

Repare no que a coluna do meio revela. «Melhorar a vida sexual» é uma frase que cabe em qualquer rótulo, mas os estudos mediram coisas diferentes: dureza da ereção num caso, desejo noutro, testosterona noutro ainda. Dois produtos podem prometer o mesmo e ter por trás medições que não se tocam.

L-citrulina: o ingrediente com o único ensaio feito em disfunção erétil

A L-citrulina é um aminoácido que os rins convertem em L-arginina, o precursor do óxido nítrico que dilata os vasos do pénis durante a ereção. Toma-se citrulina em vez de arginina por uma razão prática: a arginina engolida perde-se em grande parte no fígado e no intestino antes de chegar à circulação, e a citrulina escapa a esse passo.

O ensaio de Cormio e colegas (Urology, janeiro de 2011) deu 1,5 g de L-citrulina por dia, durante um mês, a 24 homens com idade média de 56,5 anos e disfunção erétil ligeira. Passaram de ereções «duras mas não suficientemente rígidas» para ereções normais 12 dos 24 homens com citrulina, contra 2 dos 24 na fase de placebo. As relações sexuais por mês subiram de 1,37 para 2,3.

As limitações têm de vir no mesmo parágrafo que os números. São 24 homens, o estudo era simples-cego e sequencial — todos fizeram primeiro o mês de placebo e só depois o mês de citrulina, sem sorteio da ordem. Não existe nenhuma revisão sistemática nem meta-análise dedicada à citrulina isolada e à ereção.

O que existe ao lado é a meta-análise de Xu e colegas (Andrologia, 2021) sobre a L-arginina: 4 ensaios, 373 doentes, e uma conclusão que convém ler devagar — o inibidor da PDE5 sozinho foi mais eficaz do que a arginina sozinha, e o melhor resultado foi com os dois juntos. O ensaio de 2011, as suas limitações e a diferença entre malato e citrulina pura estão detalhados em o ensaio dedicado à citrulina.

Ginseng: duas fontes de topo, duas palavras diferentes para o mesmo efeito

O ginseng é o caso mais interessante desta prateleira porque duas fontes respeitadas dizem coisas que parecem opostas.

A revisão Cochrane de abril de 2021 juntou 9 estudos e 587 homens com disfunção erétil ligeira a moderada e concluiu, textualmente, que o ginseng «parece ter um efeito trivial sobre a disfunção erétil quando comparado com placebo». A certeza das conclusões foi classificada como baixa, com o aviso de que o efeito real pode ser substancialmente diferente. Os autores notam que a maioria dos estudos usou doses até 3000 mg/dia, abaixo do que os fabricantes recomendam.

As diretrizes europeias de urologia de março de 2025, portanto posteriores à Cochrane, mantêm uma recomendação fraca: usar suplementos com L-arginina ou ginseng em homens com disfunção erétil ligeira que recusem tratamento farmacológico, depois de os avisar de que a melhoria pode ser ligeira.

As duas fontes concordam no essencial e divergem no tom. «Trivial» e «ligeira» descrevem um efeito pequeno; a Cochrane é mais crítica, a EAU é mais permissiva por reconhecer que há homens que não querem tomar medicamento nenhum. A revisão de 2008 que o marketing costuma citar — 7 ensaios, risco relativo 2,40 — é mais antiga, mais pequena e de qualidade metodológica média baixa segundo os próprios autores.

Maca peruana: a prova é sobre desejo, não sobre ereção

A revisão sistemática de Shin e colegas (BMC Complementary and Alternative Medicine, 2010) procurou em 17 bases de dados e encontrou apenas 4 ensaios aleatorizados de maca contra placebo. Nenhum descrevia o método de sorteio, nenhum ocultou a alocação, e as amostras iam de 8 a 57 participantes.

Os desfechos não são intermutáveis. Dois ensaios, feitos em pessoas saudáveis, mostraram efeito no desejo sexual. Um, em ciclistas, não mostrou efeito nenhum. Só um avaliou homens com disfunção erétil ligeira pelo questionário IIEF-5: o ensaio de Zenico e colegas (Andrologia, 2009), com 50 homens a tomar 2400 mg de extrato seco de maca ou placebo durante 12 semanas. Nesse ensaio subiram os dois grupos de forma estatisticamente significativa, e o grupo da maca subiu mais do que o do placebo — 1,6 contra 0,5 pontos de IIEF-5 (p<0,001). Os próprios autores descrevem o resultado como «um efeito pequeno mas significativo» sobre a perceção subjetiva de bem-estar geral e sexual.

Isto importa para quem compra. Desejo e ereção são problemas diferentes: um homem com causa vascular pode ter desejo intacto e mesmo assim não manter a ereção. Nesse caso, um produto que atue no desejo não resolve o que falhou — a leitura completa dos quatro ensaios está na página da a página da maca peruana.

Tribulus terrestris: o mais procurado, o menos sustentado

A revisão sistemática mais recente sobre tribulus e disfunção erétil é de abril de 2025, na revista Nutrients: 10 estudos, 483 homens entre os 16 e os 70 anos. Metade dos estudos teve pontuação baixa na escala de qualidade de Jadad e apenas três atingiram qualidade alta.

A conclusão dos autores está escrita sem rodeios: a suplementação com Tribulus terrestris tem um nível baixo de evidência quanto à eficácia em melhorar a função erétil, e não foi encontrada evidência robusta de aumento da testosterona.

O detalhe da testosterona merece um parágrafo próprio, porque é a promessa comercial mais repetida do ingrediente. Em 8 dos 10 estudos revistos não houve alteração significativa do perfil androgénico. Nos 2 restantes houve subida, de 60 a 70 ng/dL, e apenas em homens com hipogonadismo já diagnosticado — não em homens com testosterona normal, que são a maioria de quem compra.

Nos desfechos de ereção, 3 dos 5 estudos que a mediram registaram melhoria nas pontuações IIEF e 2 não registaram. Doses usadas: 400 a 750 mg/dia, entre 4 semanas e 3 meses.

Há aqui uma divergência que temos de mostrar em vez de esconder. Em maio de 2025, outra revisão — desta vez com meta-análise, no International Journal of Impotence Research, 8 ensaios aleatorizados — juntou os resultados num único cálculo e concluiu que o tribulus superou o placebo no IIEF-5 (diferença média de 3,23 pontos, IC 95% 1,89 a 4,58) e no IIEF-15, sem diferença na testosterona total nem na frequência de efeitos adversos. As duas revisões de 2025 leem os mesmos ensaios de maneiras diferentes: a Nutrients olha para a qualidade metodológica e chama-lhe evidência de nível baixo; a meta-análise soma os números e encontra vantagem sobre o placebo. Concordam num ponto — o tribulus não aumenta a testosterona de forma robusta. As duas estão desmontadas na página da página do Tribulus terrestris.

Zinco: o único com alegação aprovada — e o que ela diz mesmo

O zinco tem duas alegações de saúde aprovadas pela EFSA ao abrigo do Regulamento (CE) 1924/2006, publicadas no EFSA Journal em 2009: «o zinco contribui para a fertilidade e reprodução normais» e «o zinco contribui para a manutenção de níveis normais de testosterona no sangue».

Ler bem estas frases poupa dinheiro. São alegações de manutenção da normalidade fisiológica. Não dizem que o zinco aumenta a testosterona acima do normal, não dizem que trata a disfunção erétil, e a lei não permite que um rótulo dê esse salto. A evidência disponível aponta benefício em homens com défice de zinco comprovado; para quem tem níveis normais, não há ensaios grandes que liguem a suplementação à melhoria da ereção.

Nenhum dos outros ingredientes desta página tem alegação aprovada na União Europeia para esta finalidade. Maca, tribulus e ginseng estão na lista de botânicos com alegações suspensas — nem aprovadas nem formalmente rejeitadas, apenas nunca avaliadas de forma conclusiva.

Cordyceps: mecanismo em animais, nada em pessoas

Não existe nenhum ensaio clínico aleatorizado em humanos que avalie o Cordyceps sinensis ou o Cordyceps militaris especificamente na disfunção erétil.

O que existe é isto: estudos em células mostram que o cordyceps e a cordicepina estimulam a produção de esteroides em células de Leydig de rato; um estudo em coelhos mostrou melhoria da função erétil por aumento do fluxo sanguíneo; e um estudo clínico antigo em idosos com fadiga crónica relatou melhoria em várias áreas, incluindo a sexual, sem usar instrumentos validados nem ter a disfunção erétil como objeto.

Mecanismo plausível não é eficácia demonstrada. É a diferença entre uma hipótese e um resultado, e num rótulo essa diferença desaparece.

O que os suplementos não fazem

Os suplementos não substituem os medicamentos de receita, e essa não é a nossa opinião — é a hierarquia escrita nas diretrizes europeias de urologia de 2025.

Usar inibidores da PDE5 como primeira linha do tratamento da disfunção erétil é recomendação de força forte. Usar suplementos com L-arginina ou ginseng é recomendação de força fraca, e apenas em homens com disfunção erétil ligeira que recusam o tratamento farmacológico depois de informados. As mesmas diretrizes avisam que o uso incorreto e a informação inadequada são a principal causa de falta de resposta aos inibidores da PDE5 — ou seja, muita gente que acha que «o comprimido não funciona» tomou-o mal.

Há ainda um dado português desconfortável. Num estudo de 2019 em cuidados de saúde primários (Sexual Medicine), de 200 doentes referenciados por disfunção erétil só 115 tinham de facto o diagnóstico; entre os confirmados, apenas 33,9% tinham sido tratados antes, e desses só 45,2% recebiam a dose máxima do inibidor da PDE5. Muitos homens concluem que «já tentaram tudo» sem nunca terem chegado à dose certa do tratamento certo.

Convém saber isto antes de comprar cápsulas: o comprimido de referência deixou de exigir receita. Por decisão do Infarmed, o sildenafil de 50 mg é desde maio de 2025 dispensado em farmácia portuguesa sem prescrição — venda exclusiva em farmácia, em gabinete de aconselhamento, com o farmacêutico a correr a lista oficial de contraindicações, no limite de uma embalagem de 8 unidades e com recomendação de consulta médica dentro de seis meses. O tadalafil continua sujeito a receita.

Também não é suplemento o único produto tópico de venda livre com ensaios publicados: o Eroxon é um dispositivo médico, chegou às farmácias portuguesas em maio de 2024 e custa 29,50 € a embalagem de quatro unidoses. Categoria legal diferente, prova diferente — a comparação está na página dos géis.

Como não comprar uma cápsula vazia — ou pior

O maior risco destas compras não é o produto não fazer nada. É conter alguma coisa que não está no rótulo.

Segundo o Infarmed, as áreas terapêuticas mais afetadas pela contrafação de medicamentos são precisamente a disfunção erétil e o emagrecimento, e o sildenafil é a substância mais falsificada. No melhor cenário o produto não tem substância ativa nenhuma; noutros casos tem impurezas, substâncias tóxicas ou uma substância ativa diferente da esperada, com efeitos adversos que podem ser graves. A origem típica é a venda pela internet, fora do circuito das farmácias.

Isto não é uma suspeita: está medido em Portugal. Numa ação conjunta da ASAE e do Infarmed divulgada a 11 de fevereiro de 2015, foram recolhidos no mercado 98 suplementos alimentares suspeitos — 58 de emagrecimento e 40 de melhoria do desempenho sexual. Depois do controlo laboratorial feito pelo Infarmed, 27 continham substâncias ativas não permitidas, e 22 desses 27 eram suplementos de desempenho sexual. Ou seja: mais de metade dos produtos de «potência» recolhidos naquela campanha tinham dentro fármaco não declarado no rótulo.

Já aconteceu em Portugal com nome e tudo. O Infarmed emitiu alerta público sobre o «Japan Tengsu», vendido como produto natural, classificando-o como medicamento ilegal. E a 16 de abril de 2019 alertou para as cápsulas «Gold Max Blue» e «Gold Max Pink», detetadas na Alfândega e analisadas no seu laboratório: continham sildenafil, a substância dos comprimidos de receita. A autoridade descreve a origem provável destes produtos como venda pela internet, fora do circuito legal das farmácias.

Por que é que isto é perigoso e não apenas fraudulento? Porque um homem que evita o comprimido de farmácia por causa do coração, e compra em vez disso uma cápsula «natural» que contém sildenafil escondido, toma exatamente aquilo que estava a tentar evitar — sem farmacêutico, sem verificação de nitratos e sem dose conhecida.

Cinco verificações antes de pagar:

  • Ponto de venda. Farmácia, parafarmácia ou loja com morada e empresa identificadas. Nas farmácias online autorizadas existe o logótipo comum europeu que liga a um registo oficial de verificação
  • Rótulo. Miligramas por dose diária, não apenas uma lista de plantas por ordem decorativa. Sem número não há comparação possível com os estudos
  • Promessa temporal. Prometer efeito «em 20 minutos» não é linguagem de suplemento alimentar — é a farmacocinética de um fármaco
  • Desconto permanente. «Era 78 €, hoje 39 €» todos os dias do ano é um modelo de venda, não uma promoção
  • Dose comparável à estudada. Uma cápsula com 50 mg de tribulus não replica os 400 a 750 mg/dia dos ensaios, independentemente do que diga a embalagem

Quanto custam em Portugal e onde se compram

Preços recolhidos a 30 de agosto de 2026. Onde a loja carrega o preço por JavaScript, a recolha foi feita por agregador e está assinalada — confirme sempre no ponto de venda antes de comprar.

Produto Composição declarada por dose diária Onde Preço Nota de recolha
Tribulus + Maca, DietMed, 60 comprimidos 700 mg de tribulus + 700 mg de maca (2 comprimidos/dia) Celeiro 21,35 € preço lido na página do produto a 30.08.2026
Tribulus + Maca, Naturmil, 60 comprimidos 700 mg de tribulus + 700 mg de maca + 200 mg de rodiola + 10 mg de zinco parafarmácias online sem preço confirmado página carregada sem valor visível; composição reportada pelo rótulo
Malato de L-citrulina em pó, 150 g e 300 g 2:1 declarado — cerca de 66% de citrulina pura por grama, em teoria lojas de nutrição desportiva sem preço confirmado só encontrámos valores num agregador estrangeiro, com data desatualizada; não os publicamos
Maca, Arkocápsulas dosagem não confirmada nesta recolha rede de farmácias Wells sem preço confirmado produto confirmado em catálogo, dados do produto não capturados

Duas observações práticas saem desta tabela. A primeira: a dose diária de tribulus vendida em Portugal, 700 mg, está dentro da faixa alta usada nos estudos — o problema do tribulus não é a dose, é a qualidade da prova. A segunda: não encontrámos em Portugal nenhuma cápsula de «potência» formulada com citrulina isolada. Quem quiser a dose do ensaio de 2011 tem de comprar pó de nutrição desportiva — e saber que «malato 2:1» é uma promessa de rótulo: em teoria dá 66% de citrulina pura por grama, mas quando cinco produtos rotulados como 2:1 foram analisados por ressonância magnética nuclear, as proporções reais ficaram entre 1,92:1 e 1,11:1 (Chappell et al., Journal of the International Society of Sports Nutrition, 2018).

O que funciona sem comprar nada

As diretrizes europeias de 2025 dão às mudanças de estilo de vida e à correção dos fatores de risco a mesma força de recomendação que dão aos comprimidos: forte. E mandam começá-las antes de qualquer tratamento da disfunção erétil, ou ao mesmo tempo.

O treino do pavimento pélvico tem prova própria. Uma revisão sistemática de 2023 (International Journal of Sexual Health) sobre fisioterapia na disfunção sexual masculina reuniu 13 estudos elegíveis. No ensaio aleatorizado de Dorey e colegas (British Journal of General Practice, 2004), com 55 homens, 40% do grupo de intervenção recuperou função erétil normal aos 12 meses. Os programas revistos iam de 6 a 12 semanas, entre 9 e 20 sessões no total.

A terapia cognitivo-comportamental, incluindo a parceira ou parceiro quando faz sentido, é também recomendação forte das mesmas diretrizes, combinada com o tratamento médico. O dispositivo de vácuo aparece como recomendação fraca, para homens informados que queiram uma opção sem fármacos.

Nenhuma destas três opções tem loja, marca ou preço de tabela. É provavelmente por isso que raramente aparecem nas páginas que comparam suplementos.

Sinais que não são caso para experimentar um suplemento

Antes de escolher um frasco desta comparação, verifique se o seu caso não está nesta lista. Se estiver, o passo seguinte não é comprar — é ser visto. Nos dois primeiros pontos, no próprio dia:

  • ereção que passa das 4 horas sem estimulação e não regride: é priapismo, urgência médica
  • dor no peito, com ou sem esforço, ou enfarte recente na história
  • perda súbita de visão ou de audição
  • ereção que falha de repente num homem jovem e sem fatores de risco à vista
  • ereção que falha ao mesmo tempo que aparecem fadiga marcada, perda de massa muscular ou alterações de humor — o eixo hormonal explica-se, e trata-se

Guardámos para o fim a única linha desta página que descreve um risco de morte. Quem toma nitratos para a angina não pode tomar inibidores da PDE5: a tensão arterial cai de forma que pode ser fatal. É por isso que a lista oficial de dispensa do sildenafil pergunta por nitratos — e é por isso que uma cápsula «natural» com fármaco escondido lá dentro é um problema de segurança, não apenas de carteira.

Os limites desta comparação

Vai até aos factos publicados: o que cada estudo mediu, em quantas pessoas, com que dose, o que os autores escreveram na conclusão — e quanto custa cada produto em Portugal, com a data em que o preço foi lido.

Não vai até si. Não há aqui um diagnóstico, uma posologia para o seu caso, nem a garantia de que a sua disfunção erétil é do tipo ligeiro. A causa determina-se em consulta, com exame físico e análises: as diretrizes europeias pedem, no mínimo, perfil de glicose e lípidos e testosterona total em amostra matinal.

E há um motivo para marcar essa consulta que nada tem a ver com suplementos. A disfunção erétil pode ser um sinal precoce de problema cardíaco, em média três a cinco anos antes.

Porque não publicamos um ranking do «melhor suplemento»

Um ranking obrigaria a ordenar produtos que não foram comparados entre si. Não existe um único ensaio que ponha citrulina contra ginseng, ou maca contra tribulus, nas mesmas pessoas e ao mesmo tempo. Um número de posição inventado a partir de estudos diferentes parece informação e não é.

Também não indicamos doses diárias. As doses dos estudos estão na tabela porque são factos publicados; transformá-las em recomendação para um leitor que não examinámos seria fingir uma consulta. E, no caso do zinco, dosear sem análise é particularmente inútil: a prova aponta para benefício em quem tem défice, e o défice confirma-se com uma análise, não com uma suspeita.

Fontes

  1. EAU Guidelines on Sexual and Reproductive Health 2025 (limited text update, março de 2025) — recomendações de tratamento da disfunção erétil, hierarquia PDE5i/suplementos, estilo de vida, terapia cognitivo-comportamental, avaliação diagnóstica mínima, priapismo e nitratos. https://d56bochluxqnz.cloudfront.net/documents/EAU-Pocket-on-Sexual-Reproductive-Health-2025.pdf
  2. Cormio L, De Siati M, Lorusso F, et al. «Oral L-citrulline supplementation improves erection hardness in men with mild erectile dysfunction». Urology, 2011;77(1):119-122. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21195829/
  3. Xu W, et al. «Comparison of efficacy and safety of daily oral L-arginine and PDE5Is alone or combination in treating erectile dysfunction: a systematic review and meta-analysis of randomised controlled trials». Andrologia, 2021;53(4). DOI 10.1111/and.14007. https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/and.14007
  4. Lee HW, Lee MS, Kim T-H, et al. «Ginseng for erectile dysfunction». Cochrane Database of Systematic Reviews, 19 de abril de 2021. DOI 10.1002/14651858.CD012654.pub2. https://www.cochrane.org/evidence/CD012654_ginseng-improving-erectile-function
  5. Jang DJ, Lee MS, Shin BC, Lee YC, Ernst E. «Red ginseng for treating erectile dysfunction: a systematic review». British Journal of Clinical Pharmacology, 2008;66(4):444-450. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18754850/
  6. Shin BC, Lee MS, Yang EJ, Lim HS, Ernst E. «Maca (L. meyenii) for improving sexual function: a systematic review». BMC Complementary and Alternative Medicine, 2010. DOI 10.1186/1472-6882-10-44. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC2928177/
  7. Vilar Neto JO, et al. «Effects of Tribulus (Tribulus terrestris L.) supplementation on erectile dysfunction and testosterone levels in men — a systematic review of clinical trials». Nutrients, 6 de abril de 2025;17(7):1275. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11990417/
  8. EFSA, alegações de saúde do zinco ao abrigo do artigo 13(1) do Regulamento (CE) 1924/2006, EFSA Journal 2009;7(9):1229. https://www.efsa.europa.eu/en/efsajournal/pub/1819
  9. EFSA — alegações de saúde relativas a botânicos em suspensão («on hold»). https://www.efsa.europa.eu/en/topics/health-claims-art-13
  10. Revisão sobre Cordyceps e esteroidogénese/função sexual (dados pré-clínicos). https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S102194981630182X
  11. Morgado A, Moura ML, Dinis P, Silva CM. «Misdiagnosis and undertreatment of erectile dysfunction in the Portuguese primary health care». Sexual Medicine, 2019;7(2):177-183. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6522934/
  12. Infarmed — combate à falsificação de medicamentos (disfunção erétil e emagrecimento como áreas mais afetadas; sildenafil como substância mais falsificada). https://www.infarmed.pt/documents/15786/1228470/51_Combate_Falsifica%E7%E3o_Medicamentos.pdf/4ffa6943-1191-40eb-80a5-9020c2a307c0
  13. TSF — «Infarmed alerta que o produto Japan Tengsu é medicamento ilegal». https://www.tsf.pt/sociedade/artigo/infarmed-alerta-que-o-produto-japan-tengsu-e-medicamento-ilegal/10414431
  14. CNN Portugal, 9 de maio de 2025 — sildenafil dispensado sem receita em farmácias portuguesas, condições da dispensa. https://cnnportugal.iol.pt/viagra/receita-medica/viagra-e-os-seus-genericos-passam-a-ser-vendidos-sem-necessidade-de-receita-medica/20250509/681e69ead34ef72ee445c539
  15. Gbiri CAO, Akumabor JC. «Effectiveness of physiotherapy interventions in the management of male sexual dysfunction: a systematic review». International Journal of Sexual Health, 2023;35(1):52-66. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10903622/
  16. Dorey G, Speakman M, Feneley R, et al. «Randomised controlled trial of pelvic floor muscle exercises and manometric biofeedback for erectile dysfunction». British Journal of General Practice, 2004;54(508):819-825. https://bjgp.org/content/54/508/819
  17. Celeiro.pt — Tribulus + Maca DietMed, 60 comprimidos, preço e posologia (consultado a 30.08.2026). https://www.celeiro.pt/555364-tribulus-maca-60-comprimidos-comp-dietmed
  18. Eroxon — dados de disponibilidade e preço em Portugal (dispositivo médico, maio de 2024), cobertura da imprensa portuguesa. https://cnnportugal.iol.pt
  19. ASAE e Infarmed — nota de imprensa «ASAE e o INFARMED detetam suplementos alimentares adulterados», 11 de fevereiro de 2015 (98 amostras: 58 de emagrecimento e 40 de desempenho sexual; 27 com substâncias não permitidas, 22 delas de desempenho sexual). https://www.asae.gov.pt/ficheiros-externos-comunicados-2015/asae-e-o-infarmed-detetam-suplementos-alimentares-adulterados-pdf.aspx
  20. Infarmed — alerta «Produtos ilegais: Gold Max Blue e Gold Max Pink», 16 de abril de 2019 (Circular Informativa n.º 070/CD/550.20.001): cápsulas com sildenafil detetadas na Alfândega. https://www.infarmed.pt/web/infarmed/alertas/-/journal_content/56/15786/3114033
  21. Zenico T, Cicero AFG, Valmorri L, Mercuriali M, Bercovich E. «Subjective effects of Lepidium meyenii (Maca) extract on well-being and sexual performances in patients with mild erectile dysfunction: a randomised, double-blind clinical trial». Andrologia, 2009;41(2):95-99. DOI 10.1111/j.1439-0272.2008.00892.x. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19260845/
  22. Suharyani S, Amanda B, Angellee J, William W, Hariyanto TI, I'tishom R. «Tribulus terrestris for management of patients with erectile dysfunction: a systematic review and meta-analysis of randomized trials». International Journal of Impotence Research, publicado online a 13 de maio de 2025. DOI 10.1038/s41443-025-01086-7. https://www.nature.com/articles/s41443-025-01086-7
  23. Chappell AJ, Allwood DM, Johns R, et al. «Citrulline malate supplementation does not improve German Volume Training performance or reduce muscle soreness in moderately trained males and females». Journal of the International Society of Sports Nutrition, 2018;15:42 — inclui análise por ressonância magnética nuclear de cinco produtos rotulados como citrulina malato 2:1. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6086018/

Preços consultados a 30 de agosto de 2026. Página escrita a 30 de agosto de 2026.

Perguntas frequentes

Qual o melhor comprimido para a disfunção erétil?

Se «comprimido» incluir medicamentos, a resposta das diretrizes europeias de 2025 é clara: os inibidores da PDE5 são a primeira linha, com recomendação forte, e desde maio de 2025 o sildenafil de 50 mg é dispensado em farmácia portuguesa sem receita, com avaliação do farmacêutico. Entre suplementos, nenhum foi comparado com outro no mesmo ensaio — o que existe é um ensaio dedicado à L-citrulina e revisões que classificam os restantes entre «efeito trivial» e «nível baixo de evidência».

Os suplementos para a ereção funcionam mesmo?

Depende do ingrediente e do que se entenda por funcionar. A L-citrulina tem um ensaio pequeno com resultado positivo na dureza da ereção; o ginseng tem uma revisão Cochrane que fala em efeito trivial; a maca tem prova sobretudo no desejo; o tribulus tem nível baixo de evidência; o cordyceps não tem ensaios em humanos. Nenhum deles tem prova comparável à dos medicamentos de receita.

Posso tomar um suplemento em vez do comprimido da farmácia?

As diretrizes europeias admitem essa hipótese num caso específico: disfunção erétil ligeira, num homem que recusa o tratamento farmacológico e foi informado de que a melhoria pode ser ligeira. Fora desse caso, trocar o tratamento com prova forte por um com prova fraca é perder tempo — e o tempo importa, porque a disfunção erétil pode ser o primeiro sinal visível de doença vascular.

Quanto tempo demoram a fazer efeito?

Os ensaios usaram períodos de semanas a meses, não de minutos: um mês no estudo da citrulina, 4 semanas a 3 meses nos do tribulus, até 12 semanas nos do ginseng e da maca. Qualquer produto que prometa efeito em 20 ou 30 minutos está a descrever o comportamento de um fármaco, não de um suplemento alimentar.

Um suplemento pode interferir com a medicação do coração?

Pode, e é o cenário mais perigoso desta categoria. Produtos vendidos como naturais já foram apanhados com sildenafil não declarado, e o sildenafil é incompatível com os nitratos usados na angina. Quem toma medicação cardíaca deve mostrar a embalagem ao médico ou ao farmacêutico antes de tomar seja o que for.

O tribulus aumenta mesmo a testosterona?

Na revisão sistemática de 2025, 8 dos 10 estudos não encontraram alterações significativas do perfil androgénico. Os 2 que encontraram registaram subidas de 60 a 70 ng/dL, apenas em homens com hipogonadismo já diagnosticado. Em homens com testosterona normal, os dados não sustentam a promessa.

Compro citrulina malato ou L-citrulina?

O malato de citrulina 2:1 é citrulina ligada a ácido málico e, em teoria, contém cerca de 66% de citrulina pura por grama — para chegar às 1,5 g usadas no ensaio de 2011 seriam precisas cerca de 2,2 a 2,3 g de malato. Em teoria: quando cinco produtos rotulados como 2:1 foram analisados por ressonância magnética nuclear (Chappell et al., 2018), só um se aproximava do rótulo, e o pior tinha uma proporção de 1,11:1 — pouco mais de metade da citrulina anunciada.

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