Como trabalhamos
Cada afirmação com valor de facto publicada no Vigor Claro tem de vir de uma fonte identificável, e a fonte fica ao lado da afirmação, não escondida numa lista no fim. Quando os dados disponíveis são fracos, a página diz que são fracos — mesmo quando isso retira brilho ao ingrediente de que se está a falar.
Que fontes usamos e por que ordem
A ordem abaixo é de precedência: se dois níveis se contradizerem, prevalece o mais alto, e a divergência é mencionada no texto em vez de ser apagada.
| Nível | Tipo de fonte | Para que serve |
|---|---|---|
| 1 | Recomendações da Associação Europeia de Urologia (EAU), DGS, INFARMED | Definir o que é prática clínica em Portugal e na Europa |
| 2 | Revisões Cochrane, revisões sistemáticas e meta-análises indexadas na PubMed | Estimar dimensão do efeito e qualidade dos ensaios |
| 3 | Pareceres da EFSA e da EMA | Saber o que é legal alegar sobre um ingrediente na UE |
| 4 | RCM e folhetos informativos aprovados | Doses, contraindicações e interacções de medicamentos |
| 5 | Sites de lojas e farmácias | Apenas preços e disponibilidade, com data da consulta |
| 6 | Imprensa e fontes secundárias | Apenas para localizar a fonte primária, nunca como prova |
O nível 6 tem uma regra própria: uma notícia serve para nos levar ao estudo, e depois desaparece. Se a fonte primária não se abre nem se confirma, o número não é publicado — foi o que aconteceu com uma cifra de mercado que a redação retirou por o artigo original já não estar acessível.
Preços são sempre datados. Um valor de farmácia recolhido a 30 de agosto de 2026 fica escrito com essa data, porque daqui a seis meses provavelmente já não é verdade.
Chamar fraco ao que é fraco: dois exemplos reais
O compromisso mais fácil de escrever e mais difícil de cumprir é este: não melhorar a evidência com adjectivos. Dois casos do próprio site mostram como funciona na prática.
Tribulus terrestris: duas revisões de 2025 que não concordam
Sobre o Tribulus terrestris foram publicadas em 2025 duas revisões sistemáticas com leituras diferentes. A revisão publicada na Nutrients em abril de 2025 (17(7):1275) analisou 10 estudos com 483 homens, classificou metade deles como de baixa qualidade metodológica e concluiu que o nível de evidência para a função erétil é baixo. A meta-análise publicada no International Journal of Impotence Research a 13 de maio de 2025 agregou 8 estudos e encontrou vantagem face ao placebo na pontuação IIEF-5, com diferença média de 3,23.
Na página sobre este ingrediente aparecem as duas, com a explicação de que uma avalia a qualidade dos ensaios e a outra soma os resultados, e com o ponto em que ambas coincidem: nenhuma delas encontrou aumento robusto de testosterona. Escolher a que soa melhor seria mais simples e seria desonesto. O desenvolvimento está em Tribulus terrestris.
Zinco: o que a EFSA autorizou dizer, e o que não
A EFSA aprovou para o zinco a alegação «contribui para a manutenção de níveis normais de testosterona no sangue» (EFSA Journal 2009;7(9):1229). Manutenção do normal não é aumento, e a diferença não é retórica: o estudo mais citado a ligar zinco e testosterona teve nove idosos com défice marginal, sem grupo placebo, e não mediu a função erétil.
Por isso as nossas páginas escrevem a alegação com as palavras exactas com que foi autorizada e acrescentam a quem ela se aplica. O resumo dos ingredientes com menos dados está em ginseng, zinco e outros.
O que nos recusamos a fazer
- Médicos inventados. Nenhum texto é assinado por um especialista fictício, nem por «um farmacêutico» sem nome.
- Fotografias «antes e depois». Em saúde masculina são impossíveis de verificar e sugerem uma promessa que ninguém pode cumprir.
- Prazos. Não escrevemos «resultados em 7 dias». Quando um ensaio testou uma duração concreta, publicamos essa duração e o desfecho medido.
- Listas copiadas. Efeitos adversos vêm do folheto aprovado ou do ensaio que os registou, com a fonte indicada.
- Avaliações e comentários fabricados. Não existem estrelas nem testemunhos no site, e não existirão.
Também não inventamos comparações desfavoráveis a produtos concorrentes. Descrever o que uma composição declara e o que os estudos mostram chega; atribuir defeitos que não estão documentados seria o mesmo erro, ao contrário.
Como corrigimos erros
Corrigimos à vista, com data. Quando uma afirmação é alterada por se ter revelado errada, a página passa a indicar a data de actualização e, se a mudança for de conteúdo e não de forma, o que mudou fica escrito no próprio texto.
Já aconteceu antes da publicação. Num rascunho sobre maca, um ensaio italiano de 2009 tinha sido resumido como «igual ao placebo»; a leitura do resumo original mostrou uma diferença favorável à maca com significado estatístico, e o ficheiro de factos foi reescrito antes de o texto sair. Noutro caso, uma dose de zinco retirada de uma fonte secundária não existia no estudo original e foi substituída pelo valor real.
Erros encontrados por quem lê seguem o mesmo caminho. O endereço para os comunicar está em contactos, e a resposta indica o que foi alterado.
Sobre saúde. Nenhuma página deste site avalia o seu caso. Sintomas persistentes, medicação crónica ou dúvida sobre dose são assunto para consulta médica ou farmacêutica, não para leitura.
Sobre comissões. À data de hoje não há ligações remuneradas no Vigor Claro. Se passarem a existir, a regra desta página mantém-se: a avaliação de um ingrediente não muda por causa de uma ligação, e a origem comercial fica declarada onde a ligação estiver.
Esta versão é de 30 de agosto de 2026.